Crianças: quanto menores, maior sua fantasia.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008 |

Um poema. Uma proposta criativa. Computadores e uma grande dose de fantasia!
Essa foi a receita de um pequeno e rico trabalho com turmas de 1º e 2º períodos da Escola Edificar.
O resultado poderá ser visto amanhã, quando publicaremos os desenhos criados por eles. Mas o interessante deste post foi a forma totalmente diversa como o poema foi interpretado pelos dois grupos:

1º Período: Turma da Profª Maisa

1- As crianças demonstraram um grande interesse e permaneceram extremamente atentas à leitura.

2- Reagiram com muita alegria ao ouvirem as descrições dos alimentos do jantar - adoraram, em especial, o pastel de trovoada, a sobremesa transparente e o pavê de faz-de-conta.

3- Logo após a leitura, uma delas sugeriu: _ Será que podemos convidar as tias para este jantar também? E logo, todos concordaram que as tias deveriam participar. Cada um deles escolheu uma professora e ficou combinado que estas seriam convidadas para o jantar na casa "da amiga da tia Jenny, que tem uma casa encantada, de vento"...

4- Lá foram eles, adentrando pela sala da respectiva professora escolhida e convidando-as para o jantar na casa da Dona Roseana!

_ Vamos lá, comer pastel de trovoada e bolo de "nebina" - é aquela fumaça que fica no alto do morro- (Anne Luise)
_ Vamos lá que eu quero comer macarronada de nuvem, que fica lá no céu! (Rafael)
_ Eu quero ir lá e comer pavê de conta, vamos fazer um também? (Samara)
_ Não dá pra fazer o pavê assim. Tem que ter a receita...colocar as coisas direitinho pra ficar gostoso. (Isabela)
_ Não! A gente pode colocar o que quiser! A casa é encantada...pode pôr tudo. (Rafael)

5- Após o convite, todos, bem empolgados, foram ao TuxPaint para desenhar o prato preferido daquele jantar encantado, que sem dúvida, alimentou-lhes muito bem de fantasia e a criatividade!

2º Período: Turma da Profª Cinthia

1- Como o horário da informática é logo após o recreio, num dia de sol e calor, foi preciso de algum preparo inicial para a leitura do poema. Alguns estavam muito agitados.

2- Logo no início da leitura, fui interrompida pela indagação:
_ Chá de chuva? Irrk... não gosto de chuva. Só de vento. (Dylan)
_ Isso é inventado!!! Não tem na loja. É de inventar com a cabeça...(Nicholas)
E eu acrescentei: _ É a IMAGINAÇÃO...
E Vítor retrucou: _ Fica aqui (apontando para a cabeça).

3- Neste momento, eles começaram a apontar para suas cabeças e eu, resolvi procurar nas cabecinhas de cada um deles, onde estava a IMAGINAÇÃO de cada um...Eles adoraram ter a cabeça "vasculhada" e mesmo com a leitura interrompida, cada um resolveu dizer, espontaneamente, o que tinha na imaginação naquele momento:

_ Eu estou surfando numa grande onda! (Dylan)
_Eu também vou surfar com você, amigo! Posso ir, cara? (Leonardo)
_ Eu estou ganhando Pokemons. (Thiago)
_ Eu estou andando "de" cavalo, e vou com minha mãe. (Elis)
_ Eu estou passeando no jardim com minha mamãe. (Mª Eduarda)
_ Eu estou lutando com o monstro com uma espada. (Nicholas)
_ Eu vou andar de skate radical. (Vítor)
_ Eu estou desenhando... (Wagner)

4- Depois de tantos relatos e de "localizar a imaginação", propus continuar a leitura e consegui. Na segunda parte da leitura, a atenção já foi maior, e naturalmente, o espanto em relação aos "pratos do jantar" foi geral. Uma breve discussão sobre o que seria neblina e orvalho se iniciou:
_ Eu sei que a neblina deixa tudo escuro, não dá pra ver, eu sei o que é, tia! (Leonardo)
Depois de algumas definições, todos se empolgaram com o pavê de faz-de-conta. Terminada a leitura, imaginamos uma grande travessa, eles queriam uma ENORME, para que todo mundo pudesse comer o pavê! E cada um então foi colocando seus ingredientes imaginários...

5- O curioso desta fase da brincadeira foi o cuidado que todos tiveram, ao final, para colocar a "travessa do pavê na geladeira", que estava muito pesada!

6- Por unanimidade, todos escolheram desenhar o pavê de faz-de-conta no TuxPaint. Em breve, publicaremos.

O mais importante nesta simples leitura foi o estímulo a capacidade de expressão e criação. Tanto as crianças mais agitadas, quanto as mais tímidas, cada uma ao seu modo participou. Assim, introduzimos a poesia no cardápio cultural de nossas crianças, sem necessidade de grandes recursos e aparatos, até mesmo sem muita tecnologia. o ingrediente principal é estabelecer o diálogo.

Chega de Professor Coitadinho!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008 |

Em novembro farei 26 anos de profissão. Em dezembro, 25 de casada. São duas das minhas paixões. Ainda tenho mais duas: meus filhos. Mas, diferentemente do casamento, a profissão muitas vezes me deixa constrangida...
Ouvir observações do tipo: _ Nossa! Professora! De crianças pequenas! Isso exige tanta dedicação!
Ler notícias sensacionalistas, como estas, valorizando sacrifícios e abnegações de verdadeiros heróis, alimentam um romantismo extremamente nocivo a profissão e a educação do país! E, ao contrário, as pessoas, em geral, acham isso bonito...
Leia mais sobre o assunto:
Também aqui:
Valorizar o empenho em levar alunos para a escola, valorizar professores que atravessam quilômetros á cavalo, de balsa, á pé, para chegar ao trabalho é desvalorizar a educação. Professores precisam de condições dignas para aprimoramento de seu trabalho e não da demagogia da admiração alheia.
Isso não melhora em nada a qualidade do ensino. Pelo contrário. Um professor que trabalha nessas condições está fadado ao desgaste pessoal, ao cansaço. Daqui a algum tempo, quando este pedir sua aposentadoria, ainda ouvirá críticas...
Não estou de forma alguma desmerecendo estas iniciativas. Mas este enfoque serve apenas para disfarçar as reais condições do ensino no Brasil. Precisamos derrubar estes estigmas. Estes professores são símbolos, sim: símbolos da vergonha, do descaso de governantes em relação a Educação de seu povo.
Minha querida sogra dizia: Na sombra da galinha, o papagaio bebe água...
Por trás desta abnegação, do amor que temos a profissão e a nossos alunos, a incompetência e a corrupção, o mau uso das verbas públicas encontram disfarces.
Nosso país é gigantesco. As dificuldades são enormes, sim. Mas também temos altíssimos impostos. Transporte escolar deveria ser prioridade dos municípios.
Garantir condições de acesso não é função do professor. É do poder público.

O que sabemos da Infância???

segunda-feira, 13 de outubro de 2008 |


Ainda em clima de "dia das Crianças", em meio a crise financeira, ressaca de eleição, e outros eventos corriqueiros da sociedade burguesa brasileira, e preparando-me para o tenso período de avaliações a distância do meu curso de pedagogia, eis a questão: Reflexões sobre a infância enquanto construção histórica.
No excelente artigo de Ana Cristina Coll Delgado*, "Infâncias e Crianças: O que nós adultos sabemos sobre elas?", descobrimos a importância de refletir "sobre os significados que nós, adultos, atribuímos às crianças e suas culturas."

Muitas vezes, tanto na pedagogia tradicional quanto nas novas concepções, oscilamos entre a ingenuidade e o paternalismo e o autoritarismo e o moralismo, supondo que tudo sabemos sobre a existência infantil. A realidade nos mostra que tudo é muito dinâmico e que é impossível utilizar um conceito universal de infância, visto que estas sofrem influências de incontáveis variáveis de classe, raça, gênero e de tempo e espaço.
Nossa tendência é analisar a infância sempre restrita aos espaços educacionais, mas noa esquecemos de observá-la em outros espaços educativos: nas ruas, vilas, favelas, academias, televisão, games e internet. As crianças interagem nestes ambientes e como participantes de uma interação social, nos surpreendem a cada dia.
Recentemente, uma mãe desafisada, descobriu o perfil de uma menina no orkut e viu que havia algo familiar: era o perfil de sua filha.

Acompanhar a infância, é uma tarefa nada fácil. Saber até onde interferir, quando e como, e o que permitir, é hoje a maior indagação de pais responsáveis e educadores.
Certamente acredito que os adultos tem muito ainda a aprender...

Meu filho de 6 anos resolveu ser blogueiro... Muito animador, para uma mãe blogueira, mas tento exercer a menor parcela de influência nesta decisão. É claro que já exerço, pois ele me vê blogando. A continuidade ou não de suas postagens dependerá dele: única e exclusivamente! Visite:

Corujices à parte, espero que o ato de escrever continue fazendo parte de seu dia a dia por toda sua vida. E que a concorrência da TV e do Playstation não atrapalhe...

* Professora adjunta do Departamento de Educação - DECC da Fundação Universidade Federal do Rio Grande - FURG, RS

Seminário na UNIRIO

domingo, 12 de outubro de 2008 |

O Seminário na UNIRIO com o pessoal do CEDERJ- alunos de pedagogia de todos os pólos e de vários períodos, focalizando o tema Arte em Educação foi um sucesso!! Show de bola...dá-lhe Niterói!!!
Foi muito legal encontrar o pessoal de outros pólos: Vassouras, Saquarema (cidade linda!), Piraí, Rio das Flores, Volta Redonda ... e se eu esqueci de mais algum, coloque aqui!!!

Veja as fotos que tiramos: