"Queremos continuar com uma população que ouviu falar de todas as teorias mas não sabe usar nenhuma?"

Que a tecnologia está aí, invadindo o dia a dia de todos de alguma forma, seja com um Ipod ou com um mp3 player “made in China”, seja com o PC da loja de departamentos comprado em 18 prestações sem entrada ou com o último MAC, disso ninguém duvida...

E não só para o Rafinha, personagem privilegiado aparentemente da classe média, tão bem retratado no excelente vídeo sobre a geração C, como também invade o dia a dia do Wellington, nascido na periferia, filho do operário, do motorista ou do porteiro, até mesmo do desempregado...

Com uns trocados, ele já pode ir até a lan house e jogar Counter Strike, ver as gatinhas no Orkut e bater papo no MSN por algumas horinhas...

Wellington também corre atrás para copiar o DVD do filme do BOPE ou com os melhores Hip Hops baixados do Emule. Também tem um celular que envia torpedos para aquela gatinha...

A diferença entre Rafinha e Wellington é a facilidade, mas uma enorme solidariedade os une. Os dois estão no mesmo navio, apesar de classes diferentes, seguindo o mesmo comandante.

Para entender a analogia, Rafinha e Wellington não sabem do perigo do Naufrágio Curricular.

O problema não está no acesso a tecnologia e sim na forma em que ela é usada. No objetivo.

Conheço tanta garotada que usa o PC com internet de 1 Mega só para bater papo... não sabe nem o que é Blog, o que é Second Life, o que mais se pode fazer...além de ler as fofocas das celebridades do momento.
Conheço garotada que vai a Lan House fazer pesquisa pra tirar 10, muitas vezes consegue um 8 e sai sorridente!! Feliz da vida.

O navio dos dois está cheio, pesado, mas não sabem o que fazer com a carga. Sem nenhum comandante que os oriente, esses marinheiros nem percebem que muitas vezes serão cobrados por coisas que não conseguiram aprender e muitas das que aprenderam de nada servirá!
Com toda a tecnologia, não há como passar 16 anos da vida sem ler um livro sequer. Com toda tecnologia, o jornalzinho do bairro tem a informação do que acontece ali na esquina. Com toda tecnologia, é preciso ir á praia, andar de bike, fazer um gol real.

Com todo namoro virtual, é preciso beijar na boca, dividir um Big Mac, passear no Shopping ou ir no barzinho ou baile funk. Da mesma forma, com toda tecnologia, ainda é preciso ler O Pequeno Príncipe, O Sítio, os romances, as crônicas, as sátiras...
Com todo teclado ainda é preciso usar a BIC, se a bateria do celular pifar, é preciso escrever um bilhetinho no guardanapo para mandar pra gatinha da mesa ao lado, exatamente como o papai faria há 20, 30 anos atrás!

Os professores de Rafinha, Wellington, Maria, e todos os outros precisam salvar o navio!!

O professor precisa virar colete salva-vidas!


Foto - Fonte: http://europeforvisitors.com/europe/articles/vasa_museum.htm - Todos os direitos reservados
Artigo - Naufrágio Curricular - Fonte: http://www.escola2000.org.br/pesquise/texto/textos_art.aspx?id=50 de Claudio Moura Castro
As demais opiniões e comentários deste post são de responsabilidade da autora.

5 comentários:

MEU GRUPO DE MONOGRAFIA disse...

Cara amiga Jenny,
Concordo que este nosso “Vasa” educacional também dá mostras de vazamento, e urge para nós, professores, equacionar o peso de nossos canhões e, em vez de jogá-los ao mar, já que são imprescindíveis à nossa “luta”, mudar o cerne daquilo que nos dá estabilidade... o nosso lastro interior.
Durante séculos, os navios carregaram lastros sólidos como pedras, areia ou metais. Hoje, esse lastro é a própria água do mar... quando está descarregando, seus tanques recebem água como lastro.
Faço minha as suas palavras: “...o problema não está no acesso à tecnologia, e sim na forma em que ela é usada. No objetivo”, e acrescento... é tudo uma questão de lastro... de encontrar ao nosso redor aquilo que nos dá o equilíbrio que precisamos.
Fernando Antônio de Oliveira
http://grupomonografia.blogspot.com/

MEU GRUPO DE MONOGRAFIA disse...

Ainda sobre o “Rafinha”...
Às vezes tento ser pessimista, achando que assim estarei mais próximo da realidade, ou pelo menos não ficar fora dela, já que muitos dizem que o “pessimista é apenas um otimista bem informado... esta é minha angústia... quero ser otimista, mas não quero ser utópico.
Há dois meses atrás trabalhei com o “Rafinha” em uma atividade de Pós-graduação... Otimismo exagerado?
Fernando Antônio de Oliveira

MEU GRUPO DE MONOGRAFIA disse...

ainda aprendo:
http://www.meucolegio.com/midia.htm
Fernando

Cesar Felipe disse...

Exelente colocação, parabéns pelo otimo post.

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.