Utopia Não, Esperança e Determinação, Sim.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007 Postado por Jenny Horta às 3:09:00 PM | Marcadores: EAD educação internet tecnologia ensinoO que o Rafinha tem a ver com o Naufrágio Curricular?
quinta-feira, 30 de agosto de 2007 Postado por Jenny Horta às 2:01:00 AM | Marcadores: currículo tecnologia conteúdo vasa naufrágio educação ensino
"Queremos continuar com uma população que ouviu falar de todas as teorias mas não sabe usar nenhuma?"
Que a tecnologia está aí, invadindo o dia a dia de todos de alguma forma, seja com um Ipod ou com um mp3 player “made in China”, seja com o PC da loja de departamentos comprado em 18 prestações sem entrada ou com o último MAC, disso ninguém duvida...
E não só para o Rafinha, personagem privilegiado aparentemente da classe média, tão bem retratado no excelente vídeo sobre a geração C, como também invade o dia a dia do Wellington, nascido na periferia, filho do operário, do motorista ou do porteiro, até mesmo do desempregado...
Com uns trocados, ele já pode ir até a lan house e jogar Counter Strike, ver as gatinhas no Orkut e bater papo no MSN por algumas horinhas...
Wellington também corre atrás para copiar o DVD do filme do BOPE ou com os melhores Hip Hops baixados do Emule. Também tem um celular que envia torpedos para aquela gatinha...
A diferença entre Rafinha e Wellington é a facilidade, mas uma enorme solidariedade os une. Os dois estão no mesmo navio, apesar de classes diferentes, seguindo o mesmo comandante.
Para entender a analogia, Rafinha e Wellington não sabem do perigo do Naufrágio Curricular.
O problema não está no acesso a tecnologia e sim na forma em que ela é usada. No objetivo.
Conheço tanta garotada que usa o PC com internet de 1 Mega só para bater papo... não sabe nem o que é Blog, o que é Second Life, o que mais se pode fazer...além de ler as fofocas das celebridades do momento.
Conheço garotada que vai a Lan House fazer pesquisa pra tirar 10, muitas vezes consegue um 8 e sai sorridente!! Feliz da vida.
O navio dos dois está cheio, pesado, mas não sabem o que fazer com a carga. Sem nenhum comandante que os oriente, esses marinheiros nem percebem que muitas vezes serão cobrados por coisas que não conseguiram aprender e muitas das que aprenderam de nada servirá!
Com toda a tecnologia, não há como passar 16 anos da vida sem ler um livro sequer. Com toda tecnologia, o jornalzinho do bairro tem a informação do que acontece ali na esquina. Com toda tecnologia, é preciso ir á praia, andar de bike, fazer um gol real.
Com todo namoro virtual, é preciso beijar na boca, dividir um Big Mac, passear no Shopping ou ir no barzinho ou baile funk. Da mesma forma, com toda tecnologia, ainda é preciso ler O Pequeno Príncipe, O Sítio, os romances, as crônicas, as sátiras...
Com todo teclado ainda é preciso usar a BIC, se a bateria do celular pifar, é preciso escrever um bilhetinho no guardanapo para mandar pra gatinha da mesa ao lado, exatamente como o papai faria há 20, 30 anos atrás!
Os professores de Rafinha, Wellington, Maria, e todos os outros precisam salvar o navio!!
O professor precisa virar colete salva-vidas!
Artigo - Naufrágio Curricular - Fonte: http://www.escola2000.org.br/pesquise/texto/textos_art.aspx?id=50 de Claudio Moura Castro
As demais opiniões e comentários deste post são de responsabilidade da autora.
Residência Pedagógica
terça-feira, 7 de agosto de 2007 Postado por Jenny Horta às 12:07:00 AM | Marcadores: mídia formação professores qualificação docentes residência pedagógicaEm tempos de busca pela melhoria na qualidade da formação do professor, um projeto propõe a criação da residência pedagógica como nos mostra a última edição da Revista Nova Escola.
Você pode baixar a excelente matéria em PDF na íntegra.
Me pergunto porque as iniciativas pela melhoria da qualificação dos docentes no Brasil não são assunto da mídia em geral, que simplesmente se manifesta quando o assunto é relacionado aos insucessos e as péssimas estatísticas, muitas vezes questionáveis.
Me pergunto se uma notícia dessa, se publicada pela Veja, por exemplo, não seria interessante para seus leitores. Este clima de pessimismo, denúncia e crítica vazia já está enchendo as medidas.
Que tal apresentar possíveis soluções?
Que tal, ao invés de só procurar falhas, acrescentar projetos?
Talvez as pessoas comprassem mais revistas e jornais, se vissem alguma esperança de mudança nas entrelinhas, só pra variar.
Para completar, a Nova Escola também publicou uma entrevista com a pesquisadora Anne-Marie Chartier sobre a formação de docentes na França. (que tal uma entrevista com grandes educadores brasileiros também? Nossa realidade é bem diversa, não é mesmo?)
(Acho que há um problema com o link da entrevista, não consegui acessá-la.)
Meu Mestre do Mês
domingo, 5 de agosto de 2007 Postado por Jenny Horta às 4:56:00 AM | Marcadores: educação mestres Rubem Alves crianças escola aprendizagem
"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos
fragmentos de futuro em que a alegria é servida como
sacramento, para que as crianças aprendam que o
mundo pode ser diferente. Que a escola,
ela mesma, seja um fragmento do
futuro..."
Destaco para reflexão de educadores, pais e todos aqueles que convivem e amam as crianças e jovens, este importante texto, que tive a sorte de ler em meu EAC no site ESCOLA 2000
A Casa - A Escola![]()
Rubem Alves
Uma professora me escreveu pedindo-me que eu lhe desse algumas dicas sobre como despertar o interesse dos seus alunos sobre a sua matéria. Sua pergunta brotava do seu sofrimento. Preparava suas aulas como havia aprendido nas aulas de didática - mas a sua aula não era capaz de seduzir a imaginação dos seus alunos. Numa situação como essas o mais fácil e o mais comum é culpar os alunos: eles são indisciplinados, não querem aprender, são psicologicamente incapazes de concentrar a atenção. Essa professora não culpava os alunos. Culpava a si mesma. Devia haver algo de errado em suas aulas para que os alunos não prestassem atenção.
Uma aula é como comida. O professor é o cozinheiro. O aluno é quem vai comer. Se a criança se recusa a comer pode haver duas explicações. Primeira: a criança está doente. A doença lhe tira a fome. Quando se obriga a criança a comer quando ela está sem fome, há sempre o perigo de que ela vomite o que comeu e acabe por odiar o ato de comer. É assim que muitas crianças acabam por odiar as escolas. O vômito está para o ato de comer como o esquecimento está para o ato de aprender. Esquecimento é uma recusa inteligente da inteligência. Segunda: a comida não é a comida que a criança deseja comer: nabo ralado, jiló cozido, salada de espinafre... O corpo é um sábio. Etimologicamente a palavra sábio quer dizer "eu degusto". O corpo não é um porco que come tudo o que jogam para ele, como se tudo fosse igual. Ele opera com um delicado senso de discriminação. Algumas coisas ele deseja. Prova. Se são gostosas, ele come com prazer e quer repetir. Outras não lhe agradam, e ele recusa. Aí eu pergunto: "O que se deve fazer para que as crianças tenham vontade de tomar sorvete?" Pergunta boba.
Nunca vi criança que não estivesse com vontade de tomar sorvete. Mas eu não conheço nenhuma mágica que seja capaz de fazer com que uma criança seja motivada a comer salada de jiló com nabo. Nabo e jiló não provocam a sua fome.
As crianças têm, naturalmente, um interesse enorme pelo mundo. Os olhinhos delas ficam deslumbrados com tudo o que vêem. Devoram tudo. Lembro-me da minha neta de um ano, agachada no gramado encharcado, encantada com uma minhoca que se mexia. Que coisa fascinante é uma minhoca aos olhos de uma criança que a vêem pela primeira vez! Tudo é motivo de espanto. Nunca estiveram no mundo. Tudo é novidade, supresa, provocação à curiosidade.
Visitando uma reserva florestal no Espírito Santo a bióloga encarregada de educação ambiental me contou que era um prazer trabalhar com as crianças. Não era necessário nenhum artifício de motivação. As crianças queriam comer tudo o que viam. Tudo provocava a fome dos seus olhos: insetos, pássaros, ninhos, cogumelos, cascas de árvores, folhas, bichos, pedras.
Alberto Caeiro disse que foram as crianças que o ensinaram a ver. Disse que a criança que o ensinou a ver era Jesus Cristo tornado outra vez menino: "A mim ensinou-me tudo. / Ensinou-me a olhar para as coisas. / Aponta-me todas as coisas que há nas flores. / Mostra-me como as pedras são engraçadas / Quando a gente as tem na mão / E olha devagar para elas./
Quando eu era jovem e não sabia que os olhos das crianças eram diferentes dos olhos dos adultos eu ficava bravo com meus filhos quando a gente viajava. Eu olhava para fora do carro e ficava deslumbrado com cenários que via: montanhas, lagos, florestas. Queria que eles gozassem aquela beleza. Mostrava para eles, e era como se ela não existisse. Eles nem ligavam. E eu ficava com raiva. "Como podem ser insensíveis a tanta beleza?"
Eu não sabia que os olhos das crianças não tem fome de coisas que estão longe. Os olhos das crianças têm fome de coisas que estão perto. As crianças querem pegar aquilo que vêem. Cenários não podem ser pegos com a mão. Quando são bem pequenas elas olham, pegam, e levam à boca: querem comer, sentir o gosto da coisa. O bichinho de que gostam é aquele que elas podem acariciar, colocar no colo: o coelhinho, o cachorrinho, o gatinho. Nunca vi crianças com interesse especial por peixes em aquários. Peixinhos não podem ser agradados, não podem ser colocados no colo. E nem por pássaros. A menos que os pássaros possam ser agradados. Conheço uma menina que tinha como seu bichinho de estimação uma galinha. Mas a galinha dela era diferente: vinha quando era chamada e gostava de ser agradada.
Todos os objetos que podem ser pegos com a mão são brinquedos para as crianças. E por isso elas gostam deles. Estão naturalmente motivadas por eles. Querem comê-los. Querem conhecê-los. Com sete anos de idade tive a minha primeira experiência fracassada com a engenharia mecânica. Secretamente desmontei o relógio de pulso de minha mãe. Infelizmente não consegui juntar as engrenagens de novo. Com sete anos eu sabia que os objetos são interessantes e que a gente os conhece não de longe, mas mexendo neles, desmontando e montando.
Para mim esse é um princípio fundamental da aprendizagem: a fome de aprender acontece na fronteira entre o corpo e o ambiente. As crianças não se interessam por montanhas, lagos e florestas porque estão longe dos seus braços. Mas têm prazer em subir em árvores, apanhar frutas, descobrir ninhos, brincar nos remansos, pescar.
As crianças se interessam por objetos com os quais os seus corpos podem estar em contacto, que podem ser manipulados. Elas não têm um interesse natural por operações matemáticas abstratas. Mas se estão vendendo pipas na feira, elas se interessam logo por somar e diminuir para contabilizar preços e trocos. E que dizer da forma como elas aprendem a falar, coisa mais assombrosa não existe! Elas não aprendem a falar abstratamente. Aprendem os nomes dos objetos e das pessoas ao seus redor, os verbos que indicam as atividades que fazem. Quando a criança diz "mamãe" ela está chamando para si um objeto querido. A princípio, toda palavra é uma invocação. Aí elas vão para as escolas. Aí a aprendizagem sai da vida e passa para os programas. Programas são séries de conhecimentos organizados abstratamente numa ordem lógica. Mas a ordem dos programas, por terem sido preparados abstratamente, não segue a ordem da vida. Aparece então o descompasso. O que elas têm de aprender não é aquilo que o corpo delas quer aprender, pela simples razão de que a vida não segue programas. Aí surge a pergunta: como motivá-las a comer nabo e jiló? Vocês podem imaginar como é que se ensinaria uma criança a falar, seguindo-se um programa? Ela não aprenderia nunca. Não gosto de laboratórios nas escolas. Sua função não é ensinar ciência. Sua função é seduzir os pais. Os pais querem sempre o melhor para os seus filhos e o que é moderno deve ser melhor. Uma escola que tem laboratórios com aparelhinhos deve ser uma boa escola. Mas os laboratórios, antes que os estudantes entrem nele, já ensinaram uma coisa fatal para a inteligência científica: que ciência é algo que acontece dentro daquele espaço. A ciência não começa com aparelhos. Ela começa com olhos, curiosidade e inteligência. Sonho com uma escola que tenha a casa de morada da criança como seu laboratório. A casa é o seu espaço imediato. Ela está cheia de objetos e ações interessantes. Pensar a casa é pensar o mundo onde a vida de todo dia está acontecendo. Numa casa não poderia haver um currículo pronto porque a vida é imprevisível: não segue uma ordem lógica. Os saberes prontos ficariam guardados num lugar, como as ferramentas ficam guardadas numa caixa. As ferramentas são tiradas da caixa quando elas são necessárias para resolver problemas. Assim são os saberes: ferramentas. Ninguém aprende ferramenta para aprender ferramenta. O sentido da ferramenta é o seu uso na prática. O sentido de um saber é o seu uso na prática. Se não pode ser usado não tem sentido. Deve ser jogado fora. E por falar nisso, a palavra "dígrafo" que todas as crianças têm de aprender, serve para que? Assim são os nossos programas, cheios de "dígrafos" sem sentido... Por isso as crianças não aprendem.
Referências:
- Projeto Releituras - http://www.releituras.com - © Projeto Releituras — Todos os direitos reservados.
- Site Escola 2000 - © Copyright Instituto Ayrton Senna
FEIRA DE CIÊNCIAS DO ESTADO DO RIO
sexta-feira, 3 de agosto de 2007 Postado por Jenny Horta às 4:25:00 PM |Abertas as inscrições da maior Feira de Ciências do Estado do Rio de Janeiro
O evento abrange todos os municípios do Estado. Os estudantes finalistas que não morarem na capital terão todas as despesas pagas pela organização da Feira e exibirão seus trabalhos no Museu da República (no Rio de Janeiro) nos dias 10 e 11 de novembro.
Mais informações pelo site www.cederj.edu.br ou pelo telefone (21) 2568.1226 .
















